Se só experimenta de graça, não beba.

Há alumas semanas fui entregar cerveja em um restaurante, para comércio tenho que entregar por questões comerciais, já que para amigos ou despacho pelo correio ou o povo pega aqui em casa, enfim, não sou tele-entrega e não tenho pretensão de ser. Mas um indivíduo bem mal-educado me atazanou a ‘idéia’ porque queria uma garrafa de graça para ‘experimentar’. Chegou a me oferecer ‘propina’ para que eu desse a ele uma garrafa que ‘eu’ produzo, e isso ‘dentro’ do comércio de um cliente meu… Ele estava bebendo bafebaca* e obviamente não tinha ganho a garrafa. Expliquei tudo sobre a minha cerveja, sobre esse universo da cerveja e do cervejeiro artesanal e duvido que os donos da ambev/inbev e similares, ou mesmo seus diretores tivessem tanta paciência, contei sobre todo o processo e convidei ele a ‘investir’ numa garrafa para conhecer… Pimba! O tanso disse que se eu quisesse cliente eu tinha que investir. Gente, quem fica de olho no mercado é linha de produção, grupo investidor, empresa sem identificação com o seu produto. O “artesão” está intimamente ligado ao que faz. O pequeno precisa sim da venda e vai atrás dela, porém produz numa escala mesmo pequena, não creio que seja difícil distinguir esse de um industrial buscando primeiro a realização do lucro. São coisas diferentes, objetivos diametralmente opostos.

Dar cerveja de graça para alguém beber a título de experimentação, é atenção, carinho, desprendimento, gentileza… não é investimento.

Invisto quando:
Estudo para produzir
Compro o malte e outros insumos
Môo no braço
Brasso (cozinho) por 12 horas
Cuido da fermentação
Expurgo fermento
Lavo vidros e faço trafegas
Acompanho a maturação
Lavo vidros e faço trafegas
Lavo vidros e faço trafegas
Lavo garrafas
Calculo e faço primming
Engarrafo
Às vezes pasteurizo
Entrego

Se você acho que isso é pouco, não beba.

Uma observação: Isso não está restrito a mim, esse é o trabalho de todo nanocervejeiro, todos temos esse ritmo. Não estou pedindo reconhecimento, apenas respeito. Quem quiser medir forças comigo se valendo da minha necessidade cotidiana de dinheiro para viver e gerir meu negócio, enrole e enfie um bom maço no rabo.

* (bebida fermentada à base de cereais, que é como chamo essa cerveja industrial mais comum, e não me encham porque às vezes também bebo essa nhaca)

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