Entre a boiada sempre existe um bezerro que tenta furar a comitiva, atrasar o rebanho, comer a grama logo mais ali… São poucos claro, senão inexistira boiada socialmente organizada. O senso comum é o pensamento que mantém o resto da boiada numa vida comum indo para o matadouro. Esse senso diz que não adianta furar a cerca imaginária que os peões armam em comitiva. Todos vêem que o bezerro anarquista geralmente se ferra, pois apanha, geralmente não tem nem tempo de beber água fresca ou comer um pouco da grama boa do lado de fora e se alimenta do calor do próprio sangue. Assistem ao show bizarro do bezerro apanhando e assim, sem perceber, conseguem um pouco mais de horizonte e graça nas suas vidas, apoiados na segurança da comitiva.
Quando vejo um cervejeiro caseiro perco um pouco da graça da vida e penso que talvez não valha apanhar da comitiva para dar alguma graça e tempo para a boiada. O ímpeto amorna, algumas feridas na alma reaparecem. Talvez minha resistência seja tão simplesmente um defeito de fabricação, não sou afeito ao viver fútil.
Minha cerveja é produzida por um bezerro rebelde.