Era uma vez um algo assim…

O diabêdo estava à solta e a fanfarrice corria como vento em campo aberto. Ninguém confiava em ninguém, e já quase que ninguém desconfiava também, afinal, tanto fazia. Aí um diabinho todo bonito, cansado de tanto assédio da mulherada e dos privilégios de nascer livre, resolveu dar um tempo e procurar uma pousada, hotel fazenda, pastos verdejantes… foi caminhando e achou o céu. Tudo muito calminho, tranquilinho, não tinha trio-elétrico nem Gol rebaixado com tunch-tunch alto e desregulado. Gostou do local, conheceu o patrão do lugar, um sujeito bonachão que vivia sozinho e tinha uma barba tão grande que se chamava Ermitão. Acertou com ele um serviço de jardineiro, disse que conhecia mais diabos dispostos a cuidar do portão e essas amenidades. Escreveu uma carta, fez um aviãozinho de papel e lançou em direção ao inferno. Mas bateu um vento minuano e a carta se desviou para a terra dos homens sabidos. Um batedor de carteiras pegou a carta, tropeçou, ela se rasgou em quatro ou cinco pedaços e foi parando na mão de outras pessoas. O papel era bonito e diferente então todo mundo guardou pensando em ganhar uma grana com isso. Assim Gabriel ficou sozinho no céu.
Ah, sim! Sobre a carta e o povo que queria faturar uns trocos… na terra começaram a surgir igrejas, nem todas não cobravam entrada.