Com o tempo percebo que minhas preocupações sobre o que vou deixar, quando não for mais uma expressão física da vida, são menos importantes que qualquer passo dado na construção do que ‘estou sendo’. Também não sei a colheita que farão os que souberem de qualquer lampejo de minha existência, no que tange a matérias que juntei, trabalhei, guardei ou mesmo em referências do que não fiz e que devesse ter feito, bem como vale o verso disso. Esse espaço que construo com palavras e imagens, falando de cozinhar maltes, de engarrafar cheiros e gostos, de amarrar pulseiras e corujas, de cortar retalhos de madeira, é uma expressão sem monetariedade significante, pelo menos não aparente. Por algum signo que não substantivo bem agora, sigo esse labor de preencher essa vaga no espaço, com a vontade de que meu sangue colha mais do que vislumbro agora.