Esse artigo do blog, que fala sobre a produção de cerveja numa panela de macarrão, foi o mais lido do mês. Isso me desperta esperança e reflexão. Talvez, em termos de revolução de comportamento, no mundo dos que gostam de bebericar uma boa cerveja, a panela de macarrão possa se transformar na roca indiana e a cerveja, feita em casa, no Khadi.

O poder é o maior objeto de sedução humana. Acontece que o poder é também a arma mais eficaz. Quando transferimos nossa realidade para o mundo dos desejos, portanto para o mundo em que não vivemos e sim pretendemos, nosso poder se anula. Imagens preponderantemente felizes, paraísos em que parecemos levitar, destaque individual de sucesso… um punhado de metáforas comumente utilizadas pelos propagandistas nos levam para o mundo essencialmente imaginário, justamente para nos tirar o poder de escolha livre. Bundas funcionam muito bem com brasileiros de ambos os sexos. Com as mulheres que querem ser o ‘objeto’ desejado, com os homens porque querem ‘parecer’ dignos dos objetos.

A panela de macarrão é talvez a melhor arma para a revolução cervejeira, atualmente temos produção suficiente, só ainda não temos guerrilheiros treinados para usá-la. Fazer cerveja é simples, fácil. Se você já cozinhou macarrão e ainda por cima fez o molho, está apto, basta estudar uma receita de cerveja.

As cervejas são mais forma do que conteúdo no Brasil e com o crescimento das fusões, incorporações e destruição de pequenas cervejarias, essa praga se espalha pelo mundo. Porém, poderes absolutos só não vencem guerrilhas… se forem pacíficas e bem articuladas então, no mínimo perpetuam resistências. No caso da cerveja, garantem algo melhor do que isso, cerveja boa para quem bebe artesanal.

Quando despertamos a consciência, despertamos a criatividade. Ter consciência passa quase sempre pela experimentação. Portanto, se você quer se transformar num guerrilheiro silencioso, experimente uma poção, nesse caso qualquer uma, desde que seja artesanal. Lembre-se, descobrir que o mundo cervejeiro é muito mais do que uma bunda no cartaz e uma porcaria na garrafa é sua entrada.