Enquanto procuro algo que me justifique, vivo.

A sequência de provas dessa receita revela sempre uma experiência diferente. Não consegui uma cerveja exatamente como queria, acho que ela também me subverte. Dentro das percepções, uma se destacou negativamente nas primeiras provas. Entre os amargores dos primeiros goles e garrafas um ficou perceptivo, no meu gosto, bem ruim, como beber perfume… não é bom.

A cerveja está ‘amadurecendo’ na garrafa, enquanto refermenta, já agora com bem pouca intensidade. Está a catorze dias na garrafa, período em que geralmente a refermentação baixa para quase zero. Assim, menos fermento é menos turbidez, menos adstringência. Os lúpulos utilizados forneceram óleos diferentes para amargor, sabor e aroma, nesse momento tudo isso já tem mais equilíbrio. Para mim ainda com o gosto de lúpulo acentuado, para quem gosta de cervejas amargas, está mediana.

Entre a avaliações de terceiros que já experimentaram das primeiras garrafas e junto com elas uma rústica lista de itens a serem avaliados, o aroma não se sobressaiu para quase ninguém, mas houve quem gostasse da leveza do malte nele, o sabor que para mim carece de mais equilíbrio, agradou boa parte dos degustadores, já o amargor, chocou negativamente a muitos e agradou alguns. Entre as pessoas que provaram, quase a totalidade não gosta de cervejas amargas, sua preferência está muito próxima da Pale Ale, como a minha Hedônica, citada por todos. A prova foi orientada para que anotassem, segundo seu gosto, um valor para Amargor, Aroma, Sabor entre 1 e 5 pontos

Vou transcrever aqui parte de uma experimentação para a primeira prova, que meu amigo cervejeiro Carlos teve paciência de anotar:

“Aroma : achei fraco. se considerasse a ‘nota’ ficaria entre 2 e 3. é doce. frutado. lembrou um pouco de banana passa.
Amargor : perfeito. nota cinco. lúpulo no ponto. delícia.
Sabor : nota 4. primeiramente ele ‘assusta’ um pouco. rolou um gostinho de higiene. tipo algum ingrediente de assepsia ou sanitização. não sei dizer ao certo. depois, o paladar acostuma e reconhece uma cerveja ‘forte’ com bom corpo. na 2ª servida, misturando o residual, fica melhor ainda.
A espuma está fraca. de pouca permanência. acho que deve melhorar com mais dias na garrafa.”
Então, isso explica um pouco a receita. Se comparar as percepções gerais com as minhas e de alguns que exploraram mais profundamente a cerveja, verificamos que não é uma cerveja fácil. Uma quase explicação para o fato é a seguinte:
A Maquiavélica não é uma cerveja complexa no quesito maltes/açúcares residuais. Por não receber lupulagem muito alta par ao amargor, ainda que assuste no primeiro gole, tende a não deixar retrogosto amargo. Seu sabor que não traz o comum das Ales com o maltado presente, é fácil de combinar com petiscos. Experimentei ela pura, com comidas salgadas, leves, condimentadas ou adocicadas como um refogado de cebolas e tomates, prato naturalmente leve e adocicado pela caramelização da cebola e acidez do tomate.
A próxima leva dessa mesma receita já tem suas alterações consideradas. Elevar a percepção de aroma, retirar aquele sensação desagradável parecida com perfume (mais fácil, porque parece ter resultado da utilização de um lúpulo de aroma como sabor) e deixa-la mais seca para que seja mais carbonatada e refrescante.