Encontrar o pessoal da Acerva Catarinense na entrada, fora do salão de exposições, ao ar livre, antes de começar o evento, mostrando para o público, ao vivo, como é que se faz cerveja de verdade, em casa, foi muito legal. Como ‘fazer boa cerveja é fácil, fazer cerveja ruim também‘, vale a todos aproveitar e conhecer produções artesanais.. A Acerva deu uma mostra de que esse meio, o dos cervejeiros artesanais caseiros e micro cervejarias repartindo conhecimento e até suas receitas é mesmo muito além de qualquer clichê mal intencionado das grandes indústrias. Ainda bem, elas não são bem-vindas num evento desses, talvez e simplesmente porque estragariam o evento, prostituindo novamente algo originalmente bom, como foi essa partilha de conhecimento do pessoal da Acerva. É a primeira vez que considero o fato de ‘associação’ seriamente. Aponto observações mais espontâneas na minha página social.

Sobre minhas impressões no que se refere às cervejas que degustei tenho uma reserva. Eram muitos expositores e essa foi a primeira vez que pude confrontar uma gama tão diversificada de cervejas. Como ainda estou estabelecendo padrões pessoais de produção e gosto -comece a experimentar, esse mundo é fantástico- e por não poder participar de três dias de festival e degustar todas as produções nas linhas que me interessavam, privilegiei as micro cervejarias. Em detrimento dos meus colegas cervejeiros caseiros procurei bebidas levemente padronizadas, que é o caso das micro. A quantidade de provas é limitada pessoalmente pelo tempo disponível, pela capacidade de absorção de álcool -não fui lá pra encher a cara- e pela grana no bolso -cada prova custa em média 2,00- levando, no meu caso, a escolhas talvez não somente prazerosas. Esse pecado foi intencional e serviu não para provar o que havia de melhor no festival, mas sim para conhecer o meio em que estou inserido no ponto de vista comercial.

Para todo visitante de festivais como esse que queiram conhecer a diversidade cervejeira sem a necessidade inicial de reconhecer padrões, sugiro começar as degustações pelos cervejeiros caseiros -também conhecidos pelo estrangeirismo homebrewer- que levaram para Blumenau desde cervejas com açaí -cerveja açaIPA da Itacorubier, Florianópolis/SC- até cervejas aromatizadas com flores. Uma forma de começar a entender esse meio é lendo este zine com apoio da DUM e chamado Viva la Revolución.

Já de cara quero apontar o que considero a melhor cerveja do festival, sempre lembrando que falo somente das cervejas de micro cervejarias. Chama-se Drewna Piwa (em polonês, cerveja de barril) e é produzida pela Wensky Beer. Uma cerveja do estilo Old Ale. Comparando com qualquer outra cerveja do festival, ela vale o dobro do que o Luciano pede. O que posso falar dela? Deliciosa? Perfeita? Compre uma e beba.

Aos poucos escrevo mais um artigo, tanto para minha memória, tanto para quem amo e quero dividir o que descubro do mundo nessa linha do tempo que é a vida, quanto para esse tantão de gente que gasta seu tempo lendo o que escrevo e me alegram por retornar boas vezes a esse blog.

Se beber lembre-se: Beba menos, beba melhor.