Divina transformação.

Todos os sapientes da cerveja, os que crêem que cerveja ‘não é um produto feito por máquinas’, aqueles que entendem que a mulher/homem -ser não automático- é um agente e não um espectador na obtenção de sacarose -no meu caso cereais sempre malteados- em matéria-prima, compreendem que criamos com carinho um ambiente bom para que a levedura -fermento cervejeiro- magicamente converta um líquido doce em cerveja, simples e espetacularmente transformando parte desses açúcares em álcool e gás carbônico.

Essa mágica é a fermentação.

Dizem que cada fermento produz um tipo específico de cerveja, ou pelo menos, que ‘serve’ melhor a um estilo. Isso é legal, pois didaticamente podemos -nós agentes não máquina- informar ao bebedor alguns parâmetros que lhe auxiliarão a ter uma boa ideia do que esperar quando lhe oferecerem um ‘tipo’ de cerveja. O fermento é então, para o bebedor talvez mais que para o fazedor de cerveja, um dos elementos mais importantes da fabricação, afinal, cerveja é um líquido destinado ao ‘consumo humano’.

Por isso temos duas classes mais conhecidas de cerveja. Alguns fermentos trabalham melhor a temperaturas ‘baixas’, que são consideradas entre 8 e 14 graus Celsius. Outros preferem temperaturas elevadas, ‘altas’, que estão entre 18 e 30 graus Celsius.

Fermentação alta = cerveja ALE = mais aromáticas e mais complexas (gama maior de sabores) e mais encorpadas (mais açúcares residuais) = tempo de fabricação curto, a partir de 7 dias se não for maturada e se não houver segunda fermentação na garrafa para obtenção de gás.
Fermentação baixa = cerveja LAGER. = geralmente claras e geralmente secas (menos açúcares residuais) = tempo de fabricação longo, a partir de 12 dias e comumente só a partir de 20 dias, se não houver maturação nem segunda fermentação na garrafa.