A cerveja é produto de manipulação, trabalho. Manual ou não, com interferência humana ou não, existe como tal apenas com intervenção de pelo menos um ser vivo. Não é uma máquina que faz cerveja, tem que ser muito inocente para acreditar nisso e muito hipócrita para afirmar algo assim se o indivíduo é cervejeiro.

A soma do trabalho em se preparar o mosto com o poder das leveduras em transformar esse produto em outro é o que resulta no que chamamos de cerveja. Então porque tanta preocupação com tecnologia, principalmente nos equipamentos?

Primeiro dividimos o objetivo de um cervejeiro. Se é produzir de forma artesanal, controles automatizados, sejam eles na mostura, nas trafegas, na fermentação, na maturação, no envase, qualquer das etapas, descaracteriza a artesanalidade. Porém, se o objetivo é produzir com bom padrão de qualidade em pequena escala, tecnologia não é um limite, afinal, por ser um nanocervejeiro tecnológico não quer dizer que o indivíduo seja um embusteiro ou faça cerveja sem identidade.

No meu caso, optei pela artesanalidade. Se um dia mudar meu foco, aviso e assumo a outra forma, que também deve ser interessante.

A mão nem sempre alcança onde queremos, tampouco é possível manter segurança em algumas intervenções. Exemplo:

Transferir cinquenta litros de mosto fervente para outra panela
com o intuito de -imaginação- desentupir a malha que filtra o mosto.


Sou partidário da tecnologia.. Em casos de urgência, naqueles em que precisamos de muito material produzido, até vai a eficiência em produzir quantidade. Porém esse não é o caso de bebidas alcoólicas. O ser humano não precisa de tantas drogas, nem tão baratas. Dessa forma quando falo em tecnologia estou tratando da segurança de quem trabalha, de melhora do produto final ou pelo menos viabilidade de produção com boa qualidade. As variações devem permanecer, afinal essa é uma característica da artesanalidade, falando em qualidade nesse momento, estou falando disso.

Uma panela é um artefato tecnológico, então dizer que não utilizamos tecnologia nas produções artesanais, é besteira. Porém um painel de controle automático de chama e rampas é exagero e, a meu ver, impossibilita a produção de algo puramente artesanal. Um termômetro é um quase imprescindível instrumento para produção cervejeira, quanto melhor o controle de temperatura na mostura, mais variedades e eficiência na obtenção de mosto teremos. Pura tecnologia, se usada com parcimônia, ótimo. A padronização ou o controle automatizado nas variações é demasiadamente frio para que o produto final tenha alma artesanal. Nesse caso não estou falando da qualidade do produto, mas sim do método. Produtos muito padronizados não são artesanais, mesmo que sejam manufaturas industriais de pequena escala.

Provavelmente em outro momento escrevo mais sobre esse assunto. Até!