Sobre as aquisições de pequenas cervejarias por parte de gigantes da indústria, notadamente da mais fria de todas, os bebedores de moedas mais do que de cervejas dizem que é mimimi se manisfestar contra essa linha do lucro em primeiro lugar. Bodegueiro que quase goza com a aquisição, caroneiros de oportunidade, blogueiros de opinião comprada a baixo custo, enfim, afora um que outro pensante, um punhado de gente que não vê mal nesse movimento de aquisições. Esse movimento vai sufocar ainda mais um movimento nascente.

O reinício da produção de cerveja em pequena escala é bem recente. Empresas de grande porte faliram todas as pequenas que puderam há algumas décadas, são predatórias, não conseguem produzir a qualidade das pequenas então arrebentam com elas, como quem mata pra não ter comparação. Fazer cerveja em pequena escala ou em casa é antes um movimento que tenta resgatar uma cultura, algo essencial a liberdade, que é a capacidade do ser humano de produzir tudo que lhe é precioso e a cerveja, para as pessoas, é um produto que vai muito além do álcool. A grande indústria não vê assim, para ela o nome do jogo não é cultura, identidade, qualidade… para ela o nome do jogo é ‘business’.

Essa é uma parte do capitalismo que não cede espaço para o ser humano. Marcia Tiburi diz o seguinte:

“…o capitalismo é a redução da vida ao plano econômico. É o nome de uma visão de mundo, em que tudo se torna inessencial relativamente à “forma mercadoria” segundo a qual tudo pode ser comprado e vendido. Nessa visão de mundo, o pensamento está minado pela lógica do “rendimento”. Viver torna-se questão econômica.” (Democracia: Palavra mágica)

Lamento a venda da Colorado para uma mega-corporação, notadamente predatória. Se você está comemorando isso porque imagina que terá cerveja de qualidade mais barata e na mercearia do seu bairro, está iludido, é mais um potencial bebedor de moedas.