Para falar dos estilos de cerveja que faço, ou do meu estilo de fazer cerveja, primeiro um texto curto mostrando um pouco do que me orienta quando componho minhas receitas. Estilo, penso eu, é algo reconhecível facilmente, é fato que minha cerveja procura esse estado de ser.

ÁLCOOL: a graduação alcóolica é importante mais para o sabor do que para a ‘tonteira’. Entre 4 e 6% de álcool as cervejastendem a ser leves de sabor e de amargor. Acima de 6% são geralmente mais amargas ou mais encorpadas, justamente para disfarçar a grande presença de álcool.

AMARGOR: indicado pelo International Buterness Units, uma convenção que resumimos para pontos em IBU, indica o quanto de lúpulo foi utilizado na produção. Essa conta é complexa demais para ensinar aqui, mas para beber considere mais ou menos o seguinte. Amargor entre 10 e 20 IBU’s é mais fácil de assimilar em cervejas com 4 a 6% de álcool. Se o amargor ultrapassar os 20 pontos, cervejas com álcool acima dos 6% são mais fáceis, talvez porque se beba com mais vagar. Veja, cervejas muito alcoólicas podem também ser encorpadas (doces), para o mesmo disfarce do álcool.

COR: Como já disse o Karnak ‘alma não tem cor’. Deixe de lado qualquer conceito sobre a cor das cervejas e experimente. Boas surpresas pra se encontrar, como a Dunkel da Paulaner, extremamente escura, bem alcoólica e surpreendentemente encorpada e de baixo amargor aparente.

FERMENTAÇÃO: Alta fermentação produz cervejas frutadas, complexas. Baixa fermentação produz cervejas secas, de sabor e aroma definidos. Por enquanto só produzo ALE, que significa alta fermentação. O que talvez difira minha cerveja das outras ales é minha interpretação de ‘alta fermentação’. Sinceramente, respeito muito as leveduras, mas também gosto do clima tropical e sou mais amigo das cepas que se adaptam mais ao ele. Isso faz com que minhas levas seja bastante marcadas em esteres ausentes na maioria das artesanais comerciais. Claro que esse tipo de fermentação em cervejas mais secas as torna mais fortes e com álcool mais aparente, enquanto faz com que cervejas mais amenas para beber, como a Dunkel que preparei, tenham mais identidade.

Agora já temos um ideia do que minhas mãos tendem a produzir. Atentem que não sou degustador de cervejas e sim ‘fazedor’ delas. Levem também em consideração que a nossa memória olfativa, palativa e de texturas é diferente, por exemplo, o que para mim pode lembrar pêssego em caldas, para você pode remeter a bolo de damascos…

Pale Ale: Tradicionalmente uma cerveja de entrada no mundo das cervejas artesanais, por ser fácil de beber, não muito complexa, de amargor baixo/médio, graduação alcoólica entre 4,5 e 6%, cor clara mas aparente do amarelo ao bronze claro. Essa cerveja recebe na minha produção um barbante azul no gargalo, passando pela tampa.

Strong Ale:Com um barbante laranja amarrado no pescoço essa cerveja se anuncia com uma Pale Ale mais forte. O ponto é exatamente esse, um pouquinho a mais de amargor, um bom tanto a mais de álcool, ficando geralmente na casa dos 7%.

Cervejas de fato especiais: Pela complexidade das receitas, mas principalmente, pela diversidade de cuidados durante o preparo todo, desde a moagem com diversos tipos de maltes exigindo controles diferentes de moagem, sempre manual, até fermentação, maturação, envase, essas cervejas são para quem quer se dar um tempo, seja para relaxar, seja para pensar, seja para apreciar. Graduações alcoólicas, complexidades de corpo e de álcool tão díspares que só lendo as informações de cada brassagem para ter ideia do que se pode encontrar nas garrafas.

Logo escrevo outros textos, falando sobre cada estilo que produzo, com o tempo de cada feitura.