Entre as vantagens está a de ser mais fácil erguer um panela de mosto fervente com 15 quilos e não uma panela com 25 quilos…

Aprendizado – Academia versus empirismo:
As brassagens em pequena escala são um instrumento espetacular para iniciantes e para quem deseja se desenvolver como produtor de cerveja caseira, que é artesanal ‘de fato’.
Estudar é bom, mas no final do livro você não terá mosto, nem que seja um mosto ruim, quanto mais uma cerveja. A brassagem em pequena escala dá ao iniciante a possibilidade de ‘compreender’ o universo de produção cervejeira, mais do que entender ‘como é que se faz’.
Estude e produza em pequena escala.
Para produzir algo que preste em ‘grande’ escala, você terá que estudar muito mais, nem que seja para ‘padronizar industrialmente’ a tua produção.

Espaço físico versus produção:
Um ‘chão de fábrica’ de vinte metros quadrados é um excelente espaço para a pequena escala, e o cervejeiro consegue movimentar tudo que envolve uma produção sem precisar de carrinhos ou guindastes ou outros aparatos.
Em uma saleta, cozinha, área de serviço de 3×2 = 6 m2 já se faz cerveja a mais do que se bebe… Com uma panela de macarrão, o próprio fogão e geladeira, já dá pra fazer midiproduções, coisa de 3 a 5 litros.

Equipamentos versus tecnologia
Quando se produz com o objetivo de engarrafar 12 litros, utilizar meios mecânicos como bombas de recirculação é completamente incongruente. Os equipamentos para pequena escala podem ser muito desenvolvidos tecnologicamente e ainda assim manter a eletricidade longe; atingir um bom nível tecnológico nesse caso é muito mais barato do que em escalas maiores. O cervejeiro artesanal caseiro cria, modifica, desenvolve sua estrutura de produção com materiais próximos a sua casa, desenvolvendo suas habilidades e conhecendo, nesse processo, ainda mais sobre as técnicas de fabrico. Acredite, existe muita tecnologia na loja de ferragens onde você costuma comprar cano, torneira, fita isolante, etc.

A cerveja produzida:
Uma garrafa que abri no dia 22/01 desse ano de 2012, foi produzida assim, por mim, em setembro do ano passado. O que havia de diferente nela?
1 – Utilizei apenas mate de cevada
2 – Utilizei apenas grãos, nenhum extrato
3 – Engarrafei sem injetar CO2 e sem fazer priming,
ou seja, mais pura impossível.
Uma cerveja não pasteurizada, sem priming, com teor alcoólico de 7,5%, guardada por quatro meses, estar devidamente carbonatada -carbonatação leve porque optei por deixar bem translúcida, decantando antes do envase quase toda levedura em suspensão- é obra para pequena escala, porque com pequenas produções o nano, ou picocervejeiro como querem chamar, pode arriscar partes de suas muitas produções. A propósito, minha Pale Ale estva maravilhosa.

A pequena escala pode ser o suprassumo da produção cervejeira, pela variedade, criatividade, controle, personalidade, identidade visual, sazonalidade, inventividade, proximidade do consumidor… Basta o cervejeiro entender que quem faz cerveja NÃO é uma máquina, nem ele, e sim o fermento. Limpeza, cuidado, meticulosidade e essa linha de pensamentos é que pode dar o tom de validade da pequena escala.